Reportagem de bióloga do Bioventura sobre impacto ambiental

”Uma natureza pronta para impactos?”

         Sempre aconteceram impactos de proporções gigantescas na Terra, desde o período Jurássico, quando o planeta foi dominado por animais gigantescos de até 25 metros de comprimento e pesando de 30 a 40 toneladas, cuja pegada podia abrir um buraco de 1,50 m de diâmetro no solo. Assim a Terra recebeu seus primeiros impactos no ambiente, pois a existência de vida no planeta já causa impactos. Eles consumiam muitas folhas e respiravam grandes quantidades de oxigênio do planeta, até sua extinção repentina.
         Na região da Patagônia, as colônia de elefantes marinhos se aglomeram aos milhares nas praias durante a época reprodutiva, a fêmea atinge 3,5 metros de comprimento e o macho até 6,5 m, pesando até 5 toneladas. Ás vezes as colonias possuem mais de 20.000 individuos que ficam numa mesma praia por até 3 meses e depois vão embora. Dá mesma forma que os pinguins, que também reunem-se em colonias gigantescas para procriar.
          Diferente dos humanos, na vida animal existe em equilíbrio. Como os pássaros que comem as frutas das árvores, mas em troca, espalham suas sementes para germinarem outras árvores, que darão mais frutos, compensando as que foram comidas.
         Um formigueiro inteiro pode cortar até 1 tonelada de folhas e talos de plantas em um ano, mas nem por isso destroem uma floresta inteira, somente o que precisam para viver.
         O tamanduá pode comer até 30.000 cupins em uma única noite, mas nunca acaba com o cupinzeiro, sempre deixa parte dele vivo, assim o cupinzeiro pode se reerguer e garantir mais alimento para o tamanduá e seus descendentes no futuro.
        Os elefantes são tão grandes que por onde passam abrem clareiras pela mata, derrubando árvores gigantes, além disso comem 150 kg de vegetação por dia e bebem 150 litros de água. Mesmo sendo isto suficiente para desmatar o continente Africano, não desmata. E os elefantes vivem neste continente a milhares de anos.
        Até um vírus, quando causa uma epidemia, como ocorreu com o ebola, o H1N1 (gripe suína) e a peste negra, por exemplo, matam milhares de pessoas no inicio, mas depois, em dado momento, eles perdem força, como se soubessem que se matarem todas as pessoas acabariam também, pois precisam delas para viver e se reproduzir.
       Este instinto de preservação é um meio da natureza se defender dos impactos nela causados. E assim, como recompensa tem o prêmio de continuar existindo.

     Com a chegada do homem, causando impactos de forma tão desordenada e tão violenta. Surge a única espécie que não dá tempo para a regeneração da natureza. A descoberta do fogo, a Revolução Industrial, a invenção da televisão, a ida do homem a lua e desde então não parou mais, num sobreviver desenfreado que alguns chamam de modernidade, e que não mede esforços para ir adiante.

     Sem forças para continuar a natureza se entrega e acaba desmatada, perdendo cerca de 55% de sua cobertura vegetal, perdendo rios que são poluídos e animais que não tem mais para onde ir.

    A medicina e a tecnologia excessiva acabam se tornando uma falsa aliada, só trazendo mais problemas de sedentarismo e excedente populacional, que geram mais desequilíbrios, exclusivos da espécie Homo sapiens.

   Mas e quando a água acabar, a energia não chegar às casas e não existir uma única sombra no asfalto? O que fazer?

   Pode ser que a natureza se recupere, como sempre fez, pois ela sempre esteve pronta para grandes impactos, mas e nós? Será que sobreviveremos, sendo que nos transformamos nesta espécie tão frágil? 

texto por Lourdes Ventura, publicado na Revista Trilha Verde – abril/2010

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